sábado, 26 de dezembro de 2009

A infidelidade M0Dern@


A infidelidade já não é um problema, e esse é um problema. Tudo é normal, ou nos normalizamos rapidamente com qualquer coisa, a tal ponto que não existe anormalidade.

Ter uma iniciação sexual com cabra, participar de swing comunitário, revelar seus desejos por uma cicatriz na perna; nada mais assusta. Nada mais é motivo de pânico e debate para fechar um bar. O cineasta Walther Hugo Khouri não acharia mais nenhum tema para polemizar. Morreu antes dos tabus entrarem em crise criativa.

Depois do sexo livre, da amizade colorida e do mergulho na lama, a monogamia virou um preconceito.

Os terapeutas, psicólogos e psiquiatras ajudaram a tornar o dia-a-dia viável. Em contrapartida, as próprias traições. Óbvio que eles não têm culpa disso. Ninguém deve guardar culpa de nada.

A moral agora é não sofrer com a moral, o que parece um paradoxo. Temos que nos aceitar como não somos.

Você trai, logo confessa para o terapeuta e se acostuma com a idéia. Busca capturar o motivo de pular a cerca – aprende que não importa o resultado, o propósito é descobrir a origem da compulsão. E pula a fazenda inteira para respeitar a naturalidade das suas atitudes. Mergulha numa nova fase: a palavra alivia o silêncio; lavou na palavra, está novo.

Antes os casais se traíam para procurar uma satisfação que não encontravam no casamento. Hoje você pode estar satisfeito no casamento e ainda trair. O prazer em dia não é o bastante para segurar o amor. Os pares querem fantasias. Há uma obrigação pelas fantasias. Quem não tem uma fantasia exótica fora de casa não é moderno. Quem não tem uma fantasia extravagante fora do corpo não é pós-moderno.

E fantasia não é planejada. É na hora, do jeito que vier, pelo desafio, no calor da casualidade. Quanto maior a surpresa, maior o arrebatamento. A fantasia é incontrolável, contrariando em cheio o voto e o esforço de um casamento. Fácil de ser justificada; basta alegar que foi um disparate, uma atitude impensada. Não tem que prestar contas e cuidar do reencontro. Essencialmente provisória. Como uma bebedeira.

Um amigo, por exemplo, acabou pressionado pela namorada a resolver sua obcecada canalhice. Não admitia a fragilidade dele nas noitadas, os olhares lânguidos por baixo dos panos e das pálpebras, os esbarrões involuntários e o papo fiado com a mulherada nos corredores. Levantou a bandeira: ou entrava em tratamento ou ela terminava o namoro. Apaixonado, ele desistiu de sua desconfiança com o consultório, que julgava perda de tempo, e assumiu o vício.

Ao invés de trair menos, passou a trair mais para arrumar assunto com o terapeuta. Está com analista até hoje – a única relação que perdurou em sua vida.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

*A Síndrome dos vinte e tantos*

A chamam de 'crise do quarto de vida'.

Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..

E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são 'tão divertidas'… E as vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.

Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.

Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário. Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.

Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.

Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.

Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela. O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 17-18 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos… Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!
FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!*

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aí Tem

As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.

Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.

Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.

Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?

É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.

Martha Medeiros

A Alegria na Tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.

Martha Medeiros

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

O amor que a vida traz

Você gostaria de ter um amor que fosse estável, divertido e fácil. O objeto desse amor nem

precisaria ser muito bonito, nem rico. Uma pessoa bacana, que te adorasse e fosse parceira

já estaria mais do que bom. Você quer um amor assim. É pedir muito? Ora, você está sendo até

modesto.

O problema é que todos imaginam um amor a seu modo, um amor cheio de pré-requisitos. Ao

analisar o currículo do candidato, alguns itens de fábrica não podem faltar. O seu amor tem

que gostar um pouco de cinema, nem que seja pra assistir em casa, no DVD. E seria bom que

gostasse dos seus amigos. E precisa ter um objetivo na vida. Bom humor, sim, bom humor não

pode faltar. Não é querer demais, é? Ninguém está pedindo um piloto de Fórmula 1 ou uma capa

da Playboy. Basta um amor desses fabricados em série, não pode ser tão impossível.

Aí a vida bate à sua porta e entrega um amor que não tem nada a ver com o que você queria.

Será que se enganou de endereço? Não. Está tudo certinho, confira o protocolo. Esse é o amor

que lhe cabe. É seu. Se não gostar, pode colocar no lixo, pode passar adiante, faça o que

quiser. A entrega está feita, assine aqui, adeus.

E agora está você aí, com esse amor que não estava nos planos. Um amor que não é a sua cara,

que não lembra em nada um amor idealizado. E, por isso mesmo, um amor que deixa você em

pânico e em êxtase. Tudo diferente do que você um dia supôs, um amor que te perturba e te

exige, que não aceita as regras que você estipulou. Um amor que a cada manhã faz você pensar

que de hoje não passa, mas a noite chega e esse amor perdura, um amor movido por discussões

que você não esperava enfrentar e por beijos para os quais nem imaginava ter tanto fôlego.

Um amor errado como aqueles que dizem que devemos aproveitar enquanto não encontramos o

certo, e o certo era aquele outro que você havia solicitado, mas a vida, que é péssima em

atender pedidos, lhe trouxe esse e conforme-se, saboreie esse presente, esse suspense, esse

nonsense, esse amor que você desconfia que não lhe pertence. Aquele amor em formato de

coração, amor com licor, amor de caixinha, não apareceu. Olhe pra você vivendo esse amor a

granel, esse amor escarcéu, não era bem isso que você desejava, mas é o amor que lhe foi

destinado, o amor que começou por telefone, o amor que começou pela internet, que esbarrou

em você no elevador, o amor que era pra não vingar e virou compromisso, olha você tendo que

explicar o que não se explica, você nunca havia se dado conta de que amor não se pede, não

se especifica, não se experimenta em loja – ah, este me serviu direitinho!

Aquele amor corretinho por você tão sonhado vai parar na porta de alguém que despreza amores

corretos, repare em como a vida é astuciosa. Assim são as entregas de amor, todas como se

viessem num caminhão da sorte, uma promoção de domingo, um prêmio buzinando lá fora, mesmo

você nunca tendo apostado. Aquele amor que você encomendou não veio, parabéns! Agradeça e

aproveite o que lhe foi entregue por sorteio.

Martha Medeiros

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Historias do dia a dia "Você ta me procurando de novo só para isso"


Todo relacionamento tem seus altos e baixos e chega um tempo que uma crise será inevitável ,as vezes leva a uma briga feia ou uma separação temporária, Um amigão meu me contou a um tempo atrás que teve uma crise e ficou "separado" por um tempo, mas como todo bom rapaz que entende as mulheres tentou se reconciliar amigavelmente daquela forma gentil de apaziguar as coisas; Mas algumas mulheres sempre pensam que ha um interesse por trás de uma boa ação de um homem, ela nesse caso logo começou a se fazer se achando a difícil e gostosona, e em determinado momento dar tentativa de reconciliação falou a ele:
-vc só me procurou novamente por que só pensa em me levar para a cama, eu me dou ao valor e pirii e pororoo blabla...
ele respondeu:
-nao sei por que vc esta se achando tanto já que com o dinheiro que invisto em vc , posso TER gurias muito melhores que vc com o padrao da revista sexy e gasto muito menos para isso...
moral da historia: não fique se achando e se fazendo de difícil por ai fora, as capas da sexy não se fazem de difícil e incomodam muito menos que vc.
A concorrência ta grande ai fora gurias.
Obs: se vc conseguiu nesse 12 de junho ter uma companhia, lembre-se não fique atormentando a vida do seu namorado por melodramas e besteiras senão ....a sexy aparece